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A natureza nûa, e as graças

vivas

360

Com doiradura e joias cobrem tudo.

Os adornos escondem falta d'arte:

Verdadeiro juizo, he natureza
Com garbo, e com ventagem revestida

todos pensarao, ninguem dice.

365

O quer que seja, que convence logo
E reproduz a imagem, que está n’alma.

Bem como a luz ressalta mais co' a sombra

Cô a singela modestia, brilha ingenho.
Excèsso de juizo as obras perde

370

Como excesso de sangue os corpos mata.

Outros na lingua põe todo o cuidado;

Estimað livros como estimaõ damas

Pello traje somente; esquecem a alma.

Gabaõ assim; o estylo he muito bello

375

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False eloquence, like the prismatic glass,
Its gaudy colours spreads on ev'ry place;

The face of Nature we no more survey,

315

All glares alike, without distioction gay;
But true expression, like th' unchanging suv,
Clears and improves whate'er it shines upon;
It gilds all objects, but it alters none.
Expression is the dress of thought, and still
Appears more decent as more suitable,
A vile conceit in pompous words express'd,
Is like a clown in regal purple dress’d:
For diff'rent styles with diff'rent subjects sort,

320

As several garbs with country, town, and court.

Some by old words to fame have made pretence,

Ancients in phrase, mere Moderns in their sense: Such labour'd nothings in so strange a style 326

Amaze th' unlearn'd and make the learned smile.

Unlucky as Fungoso in the play,
These sparks with awkward vanity display

What the fine gentleman wore yesterday;

330

1

He como o prisma, huma eloquencia falsa,

380

Que os seus matizes, sobre tudo espalha

Da natureza a face, entao, nao vemos

Tudo brilha, he matiz, confuso, e alegre.

Mas a justa expressað, qual sol constante

385

Melhora, aclara aquillo que alumia
Doira os objectos sem que altere a essencia.
He das ideas traje, a expressað bella
Quanto mais propria, tanto he mais decente

Mas húm conceito vil, dito com pompa

390

He hum Pelam de purpura vestido:
Pois o estylo varea em cada assumpto,

Traje ha de corte, campo, e de cidade.

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Pasma ignorantes, mas faz rir os sabios.
Infeliz qual peralta na comedia
Que dezestrado, e presumido intenta
Imitár-os casquilhos bem fallantes,

R

And but so mimic ancient wits at best,

As apes our grandsires, in their doublets drest.

In words, as fashions, the same rule will hold;

Alike fantastic, if too new, or old:

Be not the first by whom the new are try'd,

335

Nor yet the last to lay the old aside.

But most by Numbers judge a poet's song,

And smooth or rough, with them, is right or wrong:

In the bright Muse tho' thousand charms conspire,

Her voice is all these tuneful fuols admire;

340

Who haunt Parnassus but to please their ear,

Not mend their minds; as some to church repair,

Not for the doctrine, but the music there.

These equal syllables alone require,

Though oft' the ear the open vowels tire;

345

While expletives their feeble aid do join,

And ten low words oft' creep in one dull line:

Aremedár antigos n'este tempo

400

400

Fallar como fallavað, vale o mesmo

Que tomar por modelo as vestias d'abas
Com que nossos avós, faziaõ secia.

Em termos como ein moda

a regra

he certa.

405

Fantastica igualmente, se saõ novos
Guardaivos de uzár cedo, e se sao velhos,

Ultimo nað sejais, para excluilos.
O canto numeroso he quanto basta,

Para nuitos julgarem de hum poeta,

Suave ou rude, he mau ou bom, com estes.

410

A musa pode ter mil attractivos

O melomane, a vóz, he que lhe admira.

Quem pello ouvido; o Pindo, só frequenta

Naõ aproveita, he como esses devotos

415

Que as igrejas frequentað, pois lhe agrada
A musica inda mais do que'a doutrina.
Naõ querem mais, que

sillabas medidas Bem que abertas vogais cançem, o ouvido,

Quando expressivas n’hum mau verso ajudað

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