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Se as regras necessarias naõ consulta.

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Perto do circo Emilio, ignaro artista N’huma estatua fiel em bronze esculpta, Perfeitamente as unhas, os cabellos;

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Mas no dezenho desgraçado, ignora
Como deve juntár de hum todo as partes:
A compôr deste modo antes quizera
Ter disforme o naris, e os olhos vesgos.

60

Pezai bem a materia, que tratareis. Quando escreveis, medi as vossas forças. Ensaiay, com que podem vossos hombros, Se o assumpto vos fôr proporcionado, Nunca vos faltará phraze eloquente, Ordem lucida, e graças no discurso.

O merito das Obras, a belleza

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Consiste em pôr no lugar proprio as coizas,
Dizer antes, o que antes dizer déve,
Transpôr aquillo, que mais tarde agrada.
Do que convem, uzar; e omitir quanto
Sem graça ou força, inutilmente occorre.

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Si possum, invideor; cùm lingua Catonis et Enpt

Sermonem patrium ditaverit, et nova rerum

Nomina protulerit? licuit, semperque licebit,

Signatum præsente notâ procudere nomen.

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Parco em palavras, delicado, e cauto Hade sempre agradár, o author astuto

Que os termos velhos, remoçar com arte;

E quando carecer de signais novos
Para novas ideas; fôr achallos

Em thesouros ignotos aos Cethegos,

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E asriscár sem temôr hum termo affoito;

Se a prudencia o condus, o povo aplaude.
E as palavras de fabria recente,

Teraõ valor; e mais se derivarem

Com pouca corrupçao, da Grecia, ou Latium.

80

Naõ penseis que os Romanos concedessem

A Cecilius, a Plauto, o que negavaõ
A Varrius a Virgilio, e que amim mesmo
Prohibissem as honras, que alcansarað
Ennin, Cataõ enriquecendo a lingua

85

De têrmos expressivos, picturescos.

Sempre licito foy, e serà sempre

Enxertar no discurso, huma palavra

Comtanto, que o costume a naõ reprove

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Regis opus : sterilisve diù palus, aptaque remis, 65

Vicinas urbes alit, et grave sentit aratrum:

Seu cursum mutavit iniquum frugibus amnis,

Doctus iter meliùs. Mortalia facta peribunt:

Nedùm sermonum stet honos, et gratia vivax.

Multa renascentur, qnæ jam cecidêre; cadentque 70

Quæ nunc sunt in honore vocabula, si volet usus,

Quem penes arbitrium est, et jus, et norma loquendi. As florestas no anno as folhas mudaõ,

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As primeiras, primeiro caem por terra,
Tais as palavras obsoletas morrem,

E novas com vigôr juvenil brilhaõ.

A' morte nós, e tudo nosso pága
Tributo inevitavel, esse Lago,

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Obra digna de hum Rey, que contra os ventos

Abriga de Neptuno as largas ondas,

E defende as esquadras nas procellas;
Essa Lagoa esteril, que primeiro
Se navegava, e propria aos rêmos era;
Onde hoje o arado sublevando as leivas,
Celeiro faz das proximas cidades;

100

Esse Rio, que as messes devastava

E que hoje docil, encanado corre;

Dos mortais essas Obras todas morrem.

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Mal podérað os têrmos durár sempre,
De viveza immortal, e graça ornados:

Muitos renascem, que esquecidos eraõ,

E cahiraõ aquelles que hoje houramos,

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